15 de abril de 2014

A história da escrava Anastácia







Simão e Eleutéria, negros bantos, foram trazidos para o Brasil, e levados para o Engenho Massapé, na Bahia. Onde Eleutéria ficou grávida, apesar da saúde frágil, continuou trabalhando no engenho. Certa vez, Eleutéria descansava junto à moenda de cana, quando sentiu dores, seriam as do parto? Simão percebeu que sua velha não se sentia bem, aproximou-se e encostou a mão no ventre da mãe, as dores foram se acalmando, até que ela adormeceu. Simão ficou em vigília, quando ouviu o choro de uma criança, assustado, levantou a cabeça e olhou ao redor, não tinha nenhuma criança. Eleutéria continuava em profundo sono. Vendo que não havia nenhuma criança, aceitou a ideia, que o choro vinha do ventre da esposa. Sinal de que a criança era sinal de Deus.
Nasceu em uma bela noite de luar, lua nova de março, parecia uma princesa, logo que nasceu Anastácia, chamava a atenção de todos, fato extraordinário, às pessoas de formação mística e idéias primitivas. 
No entanto, aos poucos a novidade caiu no esquecimento, e Anastácia foi criada ali, onde nasceu junto e como todos os demais escravos.
Aos 12 anos, já trabalhava na casa grande, seu pai adoeceu de tuberculose, e foi levado para o curral, longe até dos animais. Por falta de cuidados, o estado de Simão piorara, e Anastácia, em uma noite foi ver o pai. O encontrou tossindo muito e com fortes dores do peito. Em um gesto, a menina postou as mãos sobre o peito de pai, e imediatamente a tosse sessou e as dores também melhoraram.
Sua mãe crendo, encontrar o marido morto, entrou no curral rezando um terço, se surpreendeu, ao ver a filha, e o marido balbuciando algumas poucas palavras. E as duas passaram a rezar o terço em voz alta juntas, quando a mãe perguntou a filha, que iria acontecer com o pai, e a menina prontamente respondeu:
“- PARA MORRER NÃO PRECISA SOFRIMENTO, MÃE LOTÉRIA.” Surpresa, a mãe continuo a reza, quando Simão olha pra a filha e morre.
Inconformada com os castigos e privações de seus irmãos de senzala.Anastácia pegava as chaves, escondia palmatórias, chibatas, e se usava de outros artifícios que ajudavam os irmãos a escapar da chibata e tronco, entre outros castigos impostos. Certa vez condoída, com a pena imposta a um casal de escravos, que levados para uma choupana no meio da mata e amarrados, sem ter direito a comida ou água, vigiados por capangas armados, Anastácia rouba rapadura e é pega, e levada para o tronco, lá torturada até dizer por que roubara, e ela disse que roubou para matar a fome de seus irmãos negros. Durante as fugas e rebeliões, muitos eram feridos e se machucavam, e a milagreira de mãos calejadas, proferia a cura. Tal fato incomodou a sinhá Olina, dona do engenho. A fama de curandeira se espalhava e Escolástica (irmã de Leocádio, dono da fazenda) foi conferir de perto. Na volta à Casa Grande, Escolástica foi indagada por Sinhá Olina, sobre as verdades a respeito da negra, e tudo foi confirmado. Intrigada, a especulação continuava, por ter percebido uma proteção de Leocádio à Anastácia. E continuara a indagar sobre a escrava para os demais escravos e suas benfeitorias. A gota d’água foi quando Anastácia impediu o chicoteamento de um escravo. Anastácia foi presa em grilhões nos tornozelos, chicoteada, e colocado um colar de ferro no pescoço e uma mordaça. A ausência da negra de olhos azuis foi sentida pelos irmãos de senzala, que paralisaram todo o serviço do engenho. Depois do protesto de todos, e por não saber o acontecido, Leocádio interrogou, Olina e Rufino (feitor da fazenda). Queria saber quem autorizara tamanho castigo, a verdade só veio à tona quando Sinhá Olina fora entregue pelo feitor. Leocádio foi ao curral e mandou retirar as correntes dos pés e pescoço, e ele próprio tirou a mordaça. Evocando por Nossa Senhora do Rosário e São Jorge, Anastácia pede água com a voz rouca e fraca. Vendo o estado curandeira totalmente debilitado. Leocádio resolve transferi-la pra o Rio de Janeiro, onde iniciara um tratamento, da gangrena no pescoço e demais feridas. Após 13 dias de iniciado o tratamento, e melhoras e pioras. Anastácia aos 23 anos, deixa sua história e força àqueles que lutam contra injustiças e injúrias. Sendo enterrada na Igreja dos Negros Porros, na mesma hora em que Leocádio assinava sua carta de alforria.

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