Pronunciamento na
Assembleia Legislativa do Estado do Ceará em 30/04/2013- Dia Nacional Da
Mulher- Por José Nazimar Avelino Eugênio.
Senhoras e Senhores,
Há 25 anos, nascia o Fecappes Clube, um
modelo associativo de caráter filantrópico, pautado na Fé, Esperança, Caridade,
Amor, Paz, Pesquisa, Educação, Ecologia e Saúde. Logo, em seguida, baseado em
seu estatuto, criou o projeto LABORATÓRIO DA MULHER, de cunho social,
cientifico e cultural,com base nas Ciências da Psicologia, Jurídica e Social,
com o firme propósito de ir em socorro da mulher fragilizada e impotente perante
situações preconceituosas e
discriminatórias, reavendo e/ou preservando sua autoestima e dignidade em
relação a sociedade.
De igual importância, incentiva e oferece os
mecanismos e ferramentas eficazes em favor da autossuperação em todos os papéis
dos quais ela estiver investida.
Durante muitos anos, o trabalho social do
Fecappes foi desenvolvido nas dependências físicas do IBEU (Instituto Brasil
Estados Unidos). Depois, na Sociedade São Vicente de Paulo – SSVP, instituição
católica de âmbito mundial fundada em França.
A constituição do Fecappes Clube teve como
berço a sede do CDL de Fortaleza, quando ainda funcionava, no edifício Santa
Lucia, na Rua Pedro Pereira, na época denominado Clube de Diretores Lojistas
hoje, Câmara de Dirigentes Lojistas.
Foi composto, pois, por líderes classistas,
homens e mulheres que faziam o movimento lojista do Ceará, comprometidos com o
bem-estar social, os quais, dotados de espíritos altruístas abraçavam causas
justas e nobres, tendo como foco a promoção humana.
O primeiro Presidente eleito foi o empresário
e líder classista Gervásio Pegado.
O foco maior do Fecappes Clube, quando
iniciou, era sobre os homens e mulheres mendigos que perambulavam pelas ruas e
logradouros públicos de Fortaleza, implorando a caridade alheia àqueles
insensíveis às suas condições subumanas.
Atua com independência e autonomia, com
simpatizantes da causa em algumas cidades do interior do Estado como, por exemplo,
Marco e Massapê.
Na atualidade, o Fecappes Clube se debruça
com afinco no projeto LABORATÓRIO DA MULHER, promovendo palestras, seminários e
encontros dirigidos ao público feminino de todas as classes sociais, com temas
pertinentes às dificuldades e carências daquelas, bem como campanhas
pedagógicas junto a instituições de ensino e religiosas e demais entidades que
estejam a serviço do bem-estar do povo, da população.
Faz-se o que é possível, com os recursos de
que se dispõe. Na qualidade de um estudioso do comportamento humano, no
entanto, supomos que só o tempo guarda o segredo da perfeição, porque este
permite a possibilidade de uma nova chance para quem ainda não tentou o
possível e o impossível, e, se o fez, ainda não bateu o próprio recorde.
O amanhã será sempre um novo risco, uma
incógnita, um novo desafio que teremos de encarar se não sucumbirmos.
Vencer o tempo é uma batalha para a qual não
se deve ter pressa de acabar, mas urgência para se apropriar dos
mecanismos e ferramentas, de modo a torná-la longeva e saudável, pautada no
otimismo e na perseverança, exercitando-o de forma prazerosa, priorizando a paz
e o bem comum.
Quanto à mulher, para vencer as suas lutas,
tem que, antes, vencer a si. Neste caso, não deve esperar pelo tempo, por entender
que a vida é o hoje; e o tempo é o aqui e agora. Para tanto, sugerimos:
não se deixe enganar pelos falazes.
Aqueles usam, além de outras artimanhas, a
palavra, com o fito de tomar, sem que se perceba, aquilo que possui de
mais precioso-a fé- na certeza de que a felicidade existe e a liberdade e o
livre arbítrio são um direito inalienável. Portanto, seja cautelosa e
prudente!
As palavras podem enganar, mas as ações não.
Por segurança, espelhem-se nas ações!
Os atos concretos de generosidade, com imparcialidade,
altruísmo, compartilhamento, humildade e justiça, testemunham, por si, a
veracidade dos nobres feitos e das boas intenções, ao contrário da retórica,
que, por vezes, não convence ou não inspira fé.
Mencionamos, como exemplo de uma vida inteira
de ações concretas de fidelidade aos seus princípios,a filantropa JERÔNIMA
MESQUITA, a qual, por méritos, inspirou as suas seguidoras na luta pela criação
e aprovação da Lei nº 6.791, que instituiu o DIA NACIONAL DA MULHER, em
homenagem àquela extraordinária e longeva figura, protótipo feminino, que lutou
até o último dia de sua vida pelos seus ideais, até os 92 anos.
Neste passo, asseveramos: a mulher ganhará de
si e das suas lutas, quando desprezar o egoísmo, a violência verbal, o
preconceito, a inveja, o despeito e a discriminação contra as outras mulheres. Ela
vencerá a si e as suas lutas quando inibir os seus medos pela coragem, e não
pela fuga e pela inércia; quando se mantiver distante das paixões radicais
inócuas, da cobiça, da possessividade, da ambição doentia. Será vitoriosa, ao
agir pelo uso da razão e não apenas pelo faro traiçoeiro da intuição, da
vaidade e da intolerância.
É público e notório o fato de que a nossa
credibilidade perante a sociedade é avaliada, de pronto, pela condução dos
nossos valores morais, por gestos seguidos de atos concretos, que identifiquem
os nossos reais valores; que o discurso não se contradiga em relação aos
atos...!
Por esse raciocínio ousamos acentuar: a
mulher vencerá a si e as suas lutas, quando não mais ceder às tentações
perigosas do ilusionismo, quando descobrir que o amor, por fim, tomou conta de
todo o seu ser. É quando, então, irá parare perceber, desnuda de egoísmo, que
todos somos iguais e que as nossas diferenças são referenciais para irmos ao
encalço da perfeição, se assim o destino permitir.
Para vencer a luta por uma causa nobre,éimprescindível
que a mulher arranque de sí os vícios perniciosos, que a gratuidade, o
compartilhamento e a solidariedade tomem assento no lugar do egoísmo, e que,
assim, vença o bem comum.
A mulher vencerá o mundo pela coragem que
tiver de defender a todos que são injustiçados, e não só aos que nada ou pouco
possuem.
Para você se sentir igual a todos, é
necessário que o seu sonho seja igual ao sonho do outro, e que os anelos de
todos pela paridade social e pela liberdade de expressão sejam a sua maior
causa.
A maior causa da mulher deve ser a mesma
daqueles que se apercebem, a tempo, de que a mulher é especialmente abençoada
como ser humano, por ter Deus negado ao homem e ter dado a esta o privilégio da
maternidade, o dom da concepção da vida, do milagre vital. Portanto, a favor da
vida.
Na luta pela paridade social não se deve
desprezar a importância de lutar pela afirmação do respeito às suas
diferenças. E, quando o corpo não mais obedecer aos comandos do cérebro,
resta à mulher permanecer sábia, permitir-se entrar em intimidade com a ideia
da morte, porque esta luta não vencerá. Para muitos, no entanto, não morrerá,
pois continuará viva de geração em geração. Perecerá, é certo, mas sua obra
ficará incólume ao tempo; incorruptível, fará parte da história, assim como
hoje é acervo dos Anais desta Casa Legislativa, Jerônima Mesquita, cuja
memória será sempre lembrada no DIA NACIONAL DA MULHER.
Da mesma forma, ficará para a história a
trajetória de conquistas, sucesso e autossuperaçãodas agraciadas nesta
solenidade- Patrícia Saboya e Luciana Dummar- que hoje recebem o reconhecimento
da sociedade, distinguidas que são pelo TROFÉU ROSA DE OURO.
O princípio básico que levou à criação do
Troféu Rosa de Ouro pelo LABORATÓRIO DA MULHER se fez imperioso pela
necessidade que se tinha da sociedade reconhecer a coragem daquelas que se
posicionaram à frente do seu tempo em defesa das mais justas e legítimas
aspirações da mulher perante a sociedade; daquelas que lutaram e pelejam pela
equidade social; das que enfrentam o preconceito, a discriminação e os tabus; que
clamam por justiça e não recuam e não se deixam vencer pelos obstáculos e
empecilhos que se formarem em seu caminhos; mas, sobretudo, pela necessidade do
reconhecimento àquelas mulheres que se destacaram em suas áreas de atuação,
dando o exemplo inconteste de superação, competência e sucesso em suas
trajetórias, seja qual for o status
em que se encontrarem.
São mulheres desta estirpe,esperamos, que
venham a liderar o movimento revolucionário feminino no País.
A revolução do mal denominado sexo frágil no
mundo será inevitável e deverá eclodir no Brasil, na próxima década. As
mulheres sairão vitoriosas e não terão baixas em suas fileiras, porque não
usarão a violência nem armas mortíferas; suas armas serão aquelas que se
encontram inofensivamente na contextura cerebral, usadas por meio da
persuasão, do compartilhamento, do clamor por justiça, da solidariedade e,
sobretudo, pelo poder de emocionar os seus pares.
O Ceará é tido, pela sua história, como uma
terra de povo forte e corajoso. Esteve sempre à frente na antecipação de
resoluções das grandes questões nacionais, como, por exemplo, na antecipação da
abolição da escravatura.E não será diferente com relação à REVOLUÇÃO DO “SEXO
FRÁGIL”, cada vez mais forte!
Esta revolução tem raízes aqui no Ceará, desde
o momento em que foi aprovada a lei oriunda da coragem e perseverança de uma
cearense, lei esta que, por mérito, recebeu o nome de MARIA DA PENHA.
Outro grande trunfo está acontecendo nesta
Casa Legislativa, que, pela primeira vez em toda a sua história, ostenta o recorde
de estar representada por nove mulheres deputadas. Esta vitória é atribuída ao
uso da principal pilastra que orientará a REVOLUÇÃO DO SEXO FEMININO: o poder
de persuasão que estas vitoriosas mulheres tiveram junto aos seus
correligionários e junto às massas.
Estas parlamentares, pelo também poder de
união e coesão, criaram no dia oito de março passado A FRENTE PARLAMENTAR DA
MULHER, visando mobilizar os demais pares na busca por projetos e ações que
contribuam com a afirmação dos direitos civis, políticos e sociais das
mulheres.
Esta iniciativa vem ao encontro dos preceitos
da REVOLUÇÃO DO SEXO FRÁGIL, pelo fato de começar pelo estabelecimento de
estratégias. Esta revolução trará nova ordem, mas não será uma imposição,tampouco
será uma revolução de consciências, mas o resgate da sociedade pelas
injustiçase erros praticados contra a mulher durante milênios. Sairá vitoriosa,
porque não visará tão somente à reivindicação pelos direitos igualitários da
mulher, mas a mobilização de homens e mulheres comprometidos com a igualdade
social e a paz entre ambos. E, não só isto, mas, também e principalmente, a
igualdade pela afirmação do respeito às suas diferenças em relação aos homens.
Quanto a honraria que me foi concedida, hoje,
por esta Casa, em nome do FECAPPES Clube, queremos dividir- em respeito,
também, aos vinte e cinco anos da Promulgação da Constituição Cidadã de 1988-
com todos aqueles, indistintamente, que, durante esta caminhada, procuraram
tornar o nosso País mais justo, combatendo as desigualdades sociais.
Como cidadão comprometido com as justas
causas femininas, ofereceremos a nossa parcela de contribuição quando, no final do mês de maio, por meio do LABORATÓRIO DA
MULHER e do FECAPPES CLUBE, lançaremos, aqui mesmo nesta Casa, o resultado de
20 anos de pesquisas sobre o comportamento, a sapiência, as conquistas e o
papel da mulher nos últimos 100 anos, com o livro: O PODER QUE A MULHER TEM
SOBRE OS HOMENS E NÃO SABE.
Nesse livro, a mulher terá acesso, em
primeira mão, ao conhecimento de uma nova ordem social pacífica para a sua
total emancipação; a sua legítima carta de alforria: o conhecimento sobre a
liberdade compartilhada.
Em nome desta nova ordem social pacífica,
conclamamos todas as mulheres do Ceará, neste dia dedicado a ela – DIA NACIONAL
DA MULHER – a considerarem esta data, de caráter ordeiro e também responsável,
como o marco inicial e o primeiro ato solene em prol do MOVIMENTO DE ÂMBITO
NACIONAL, com o apoio do LABORATÓRIO DA MULHER, denominado “A REVOLUÇÃO DO
SEXO FRÁGIL”, usando como ideário “A LIBERDADE COMPARTILHADA”. Quem viver
verá!
Viva a REVOLUÇÃO DO SEXO FRÁGIL!
Salve o DIA NACIONAL DA MULHER!
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